Vinho de Talha: uma produção (quase) milenar


Estamos começando 2019 esperando conhecer e apreciar muito mais desse líquido dos deuses. Por isso, venho compartilhar com vocês a história que atualmente está retomando com força o interesse de vinícolas, pesquisadores, historiadores, amantes do vinho, principalmente os portugueses, que estão resgatando o uso da ânfora, para acondicionar o seu vinho produzido. Naquele tempo os donos de suas videiras, faziam todo o processo, desde a plantação, colheita e a "piza" nas uvas, para obter o líquido. Isso feito, o suco era despejado nessas ânforas e armazenadas para a devida fermentação. Pronto. Surge o vinho de talha.

Essa técnica teria sido utilizada na Península Ibérica, com talhas de de 200 a 1.500 litros, que recebiam juntas com parte do bagaço para realizar a fermetação, pois possuiam uma levedura natural. Para evitar problemas, na primeira semana, auge da fermentação, era necessário molhar as talhas para diminuir sua a temperatura, que se elevava demais naquele momento, a fim de evitar a ocorência de trincas. Com o processo microbiórico finalizado, os bagaços eram removidos e deixados para descanso por até 12 meses. Podem ser produzidos tanto os tintos como os brancos. O contato com o barro é peculiar, onde percebe-se a mineralidade e frescor, característcas bem distintas. A porosidade do barro, permitindo o contato permanente com o ar, torna um vinho com alto teor de oxidação, consequentemente não se percebe aromas e sabores, resultado do contato apenas com o barro.

Além do Alentejo, também encontramos a utilização desse método na Geórgia, nos Cálcasos, local onde foram descobertos os mais antigos vestígios de viticultura no mundo, com mais de 8 mil anos.

Vale ressaltar, que a produção é muto pequena (não chega a mil garrafas/ano), mas vem aumentando . Apesar de também sabermos que a própria talha durante muito tempo, seu interesse foi quase nulo, pois os produtores foram fechando suas portas. Atualmente, são poucos que ainda dominam a antiga técnca, totalmente artesanal. Mas não desanime! Um mercado está sendo criado por "caçadores de talhas de segunda mão", isto é, viticultores interessados em transformar esse mercado num atrativo.

Portanto, se você é um dos que curte história, vale encarar o desafio e buscar encontrar um exemplar e experimentar.

Saúde!!

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